["Em pouco tempo não serás mais o que és..."] Cazuza
E sobre escolhas... Eu não sei se fiz a coisa certa, mas fiz
o que meu coração mandou.
Sem razão, sem ciência. Arrumei minhas coisas, disse o adeus
mais seco que já foi falado para alguém e saí porta a fora. Não me despedi de um homem, nem de uma
família. Me despedi de uma vida na qual não aguentava mais permanecer.
“Senhores deuses me protejam de tanta mágoa” foi o que disse
quando fechei a porta do meu antigo lar. Pensei em Cazuza, em arriscar, em ser
feliz e deixar tudo que faz mal pra trás. Foi a decisão mais difícil que eu
tomei em toda a minha vida.
A gente não sabe como esquecer o que nos fez mal. A gente
finge que esquece, a gente finge que não dói. E eu só tranquei tudo num
apartamento e me mudei de estado, minha alma continua a mesma.
Não sei se foi a coisa certa, mas eu fiz o que meu coração
mandou. Alguns tostões, um sorriso
disfarçado e uma mala pronta e lá ia a moça que disse nunca sair daquele lugar
no qual guardava as suas piores lembranças.
Uma nova vida.
Novas pessoas.
Novos lugares.
Novos beijos, abraços.
Novo ‘eu’.
Novas lágrimas e mágoas também.
Porque, no fim de tudo, os inícios sempre são mil flores.
Segurar as pontas quando se está no clímax da vida que é o difícil.
A casa mudou, os móveis também. Os sentimentos, os
pensamentos, as dores não. Estão apenas
escondidas, mas enquanto elas não reaparecem eu curto o início. Com um novo
sorriso, tentando viver a mudança não só do lado de fora, mas também dentro de
mim.

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