quarta-feira, 6 de março de 2013

Cosmo



[Não sei porquê nem quando, mas essa música virou meu mantra, Shake It Out, de Florence and The Machine  ]

Eu conheci um moço chamado Cosmo. Trinta e poucos anos e a experiência transbordava no seu rosto. Mas eu senti que faltava algo em Cosmo, algo que as experiências nunca puderam lhe dar. E eu sabia que faltava, mas não sabia o que. Então decidi conversar com o moço.

Cosmo conheceu o mundo todo. Gente de todo o tipo. Negro, branco, asiático, brasileiro e libanês. Surpreendeu-me o ouvir dizer que esteve na guerra do Afeganistão. E quando me mostrou sua marca de guerra meus olhos ficaram repletos de lágrimas. Mas ele sequer abalou-se com a minha emoção. Aquilo parecia ser bem normal pra ele.

Entre um assunto e outro Cosmo deixou sair de sua boca o nome Estrela, e se referiu à ela como a pessoa mais incrível que havia conhecido. Primeira vez que senti uma pontada de tristeza em Cosmo. Mas ele mudou de assunto logo, falando das suas festas e aventuras pelo mundo, a diversidade de moradias em que esteve e quando passou frio no Alasca também.

Um homem nada normal, com experiência em todos os cantos do mundo, conhecedor de cada pontinha de terra e cada gota de oceano que pertence à este mundo. E tudo isso vivido sozinho.  Talvez por opção. Ou talvez porque não tivesse quem o acompanhar.

Perguntei sobre estrela e ele disse ter conhecido essa mulher enquanto estava num passeio à periferia de Londres. Poucas semanas juntos e ele teve de se mudar para mais uma aventura na vida.
E nisso eu vi lágrima caindo em seu rosto bastante marcado pelo tempo. E eu o perguntei se ele era feliz por ter a vida que tem. E ele me disse: “Estrela foi a melhor vida que eu tive. Nada que eu tenha vivido se compara ao pouquíssimo tempo que estive com aquela mulher.”

Foi aí que eu percebi que desde o início Cosmo era um moço triste, melancólico, sofrido. Ele não precisava de aventura, muito menos de inúmeras viagens por cada canto do mundo. Ele precisava de algo que poucas pessoas são capazes de transmitir: amor.

E talvez ele nunca mais fosse encontrar, então se agarrava àquela lembrança como se fosse sua vida. O que realmente significava aquilo para ele.