Hoje, anos depois, você finalmente me mostra o mínimo dos mínimos símbolos de afeto, mas agora já é tarde demais. Agora já estou bem grandinha, e não preciso mais de você para me proteger dos monstros que viviam embaixo de minha cama e dos que vivem a minha volta. Mas não vá pensando que me tornei uma garotinha assustada, com medo da própria sombra, muito pelo contrário. Me tornei uma das pessoas mais frias e grossas que você conhecerá, pois afinal, aprendi a criar uma barreira emocional tão grande quanto a muralha da China, para que ninguém jamais me machuque como você fez, e isso só tenho a lhe agradecer, afinal, as feridas que você me causou quando eu era pequena, me fizeram uma pessoa mais forte quando eu cresci.”
Texto de Maria Olívia Rezende.
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