sábado, 13 de outubro de 2012

E eu tentei, juro que tentei ser o que você queria, mas de algum modo você sempre achava um motivo para  se decepcionar comigo. Quando eu achava que finalmente tinha feito algo que te agradaria, lá vinha você com as suas milhões de críticas dizendo que eu nunca fazia nada certo. Isso me machucava sabe? Me fazia querer pular da janela do meu quarto no décimo quinto andar. Eu me sentia um lixo, e todas as noites eu chorava desesperadamente, pedindo a Deus que Ele me fizesse capaz de receber qualquer forma de afeto de sua parte.
Hoje, anos depois, você finalmente me mostra o mínimo dos mínimos símbolos de afeto, mas agora já é tarde demais. Agora já estou bem grandinha, e não preciso mais de você para me proteger dos monstros que viviam embaixo de minha cama e dos que vivem a minha volta. Mas não vá pensando que me tornei uma garotinha assustada, com medo da própria sombra, muito pelo contrário. Me tornei uma das pessoas mais frias e grossas que você conhecerá, pois afinal, aprendi a criar uma barreira emocional tão grande quanto a muralha da China, para que ninguém jamais me machuque como você fez, e  isso só tenho a lhe agradecer, afinal, as feridas que você me causou quando eu era pequena, me fizeram uma pessoa mais forte quando eu cresci.”

Texto de Maria Olívia Rezende.

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