Dizem por aí que eu não sou essa garotinha que todos pensam. E não sou mesmo.
Numa tarde chuvosa, acendo o meu cigarro e bebo o meu café pensando nas besteiras que fiz na noite passada, nos caras com quem fiquei e com quantos ainda vou ficar.
Olho meu vestido preto jogado no chão e me recordo de momentos que só ele sabe. Observo meu quarto, vejo as fotos do meu mural, lembro dos meus amigos, das coisas que fizemos juntos e do quão importante foi aquela época.
Me deixo ir mais fundo: olho a carta que ganhei do meu ex namorado. Lembro dos beijos mais gostosos do mundo, das promessas de amor, dos fins de tarde observando o pôr-do-sol e da nossa cama quente nas noites mais frias que o mundo pôde ter.
Me levanto e observo a chuva. Ela tem um caimento que nunca havia percebido. Cai como eu, quando me sinto sozinha, triste, angustiada. Quando não possuo mais forças para lutar.
Vejo flashbacks da minha vida e percebo que foi tudo em vão. Foi como se nada tivesse existido, como se até até mesmo aquele café e aquele cigarro fossem de mentira. Não tenho identidade.
Não critico quem diz que eu não sou quem eu aparento ser, porque quem eu sou de verdade, nem eu mesma posso dizer.
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